A Anistia Internacional promoveu na manhã de ontem (11), na
comunidade da Rocinha, um ato de solidariedade à família do ajudante de
pedreiro Amarildo de Souza, cujo desaparecimento vai completar um mês, no
próximo dia 14. Amarildo desapareceu no dia 14 de julho, quando foi levado por
policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha, e nunca mais foi
visto.
A
assessora de Direitos Humanos da Anistia Internacional, Renata Neder, disse à Agência Brasil que ações e
atividades de mobilização são feitas normalmente pela organização não
governamental. As ações de solidariedade são promovidas em apoio a famílias ou
pessoas que são vítimas de violência, estão em situação de risco ou têm seus
direitos violados. Na segunda-feira passada (5), a Anistia lançou um apelo para
que todos os seus membros, no mundo inteiro, escrevam cartas fazendo uma demanda.
“Nesse caso, a gente lançou uma ação urgente, pedindo investigação sobre o
paradeiro do Amarildo”.
Renata
informou que a decisão de fazer o ato de solidariedade quando se comemora o Dia dos Pais objetiva “brincar que, neste domingo, seremos todos
filhos e filhas do Amarildo, esperando ele voltar para casa. É um ato de
solidariedade com a família, mas também reforçando esse pedido de investigação
do caso”.
A
assessora destacou a importância de se começar a discutir, também, outros fatos
que permanecem sem resposta até hoje. Um deles é que, se Amarildo foi detido
para averiguação por ser parecido com algum traficante para o qual havia um
mandado de prisão, por que ele foi levado para a UPP e não para uma delegacia
de polícia, como seria o correto, indagou Renata Neder. “Foi um procedimento
que não é o correto”.
É
preciso indagar também as autoridades, segundo ela, para saber por que o
aparato de segurança instalado em área de UPP “e, inclusive, na Rocinha”, não
funcionou naquele dia. “As câmeras que vigiariam a entrada e a saída da sede da
UPP na Rocinha não estavam funcionando e, portanto, é impossível ver a imagem
do Amarildo saindo pela porta, como os policiais dizem que aconteceu”.
Outra
pergunta se refere ao equipamento de GPS (Sistema de Posicionamento Global, por
satélites) dos carros da polícia que, segundo informações, estavam também
desligados no dia do desaparecimento do ajudante de pedreiro. “Afinal de
contas, todos esses instrumentos, as câmeras, por exemplo, não podem servir
somente para vigiar a população da Rocinha. Tem que ser para garantir segurança
e, inclusive, garantir transparência à ação da própria polícia. Afinal, a
polícia está ali agindo em nome do estado e deve existir total transparência em
relação ao que a polícia está fazendo”, disse.
Outra
coisa que preocupa a Anistia Internacional é a tentativa de se criminalizar de
alguma forma a família do Amarildo, disse a assessora de Direitos Humanos da
organização. Segundo ela, o relatório apresentado pelo ex-delegado adjunto da
15ª Delegacia Policial (DP) da Gávea, na zona sul da cidade, Ruchester
Marreiros, aponta envolvimento do pedreiro Amarildo de Souza e da mulher dele
com o tráfico de drogas da comunidade. O delegado titular da 15ª DP, Orlando
Zaccone, contesta essa avaliação. Zaccone assegura que o material colhido
durante as investigações não garantem o indiciamento da mulher e de Amarildo
nem comprovam o envolvimento deles com o tráfico. Marreiros foi transferido
para a Delegacia de Repressão a Crimes de Informática.
“Esse
relatório insinuando o envolvimento da família de Amarildo com o tráfico é
muito grave por dois motivos. Nem que a família de Amarildo tivesse
envolvimento com o tráfico, não seria justificável que ele sumisse. A gente
vive em um Estado Democrático de Direito e existe um devido processo legal de
investigação, de indiciamento, julgamento e aplicação das penas cabíveis”. O
segundo ponto, disse Renata, é que essas acusações “não procedem”. Ela acredita
que as insinuações feitas parecem ser “uma tentativa de criminalizar a vítima
para desviar o foco do que deveria ser de fato a investigação sobre o paradeiro
do ajudante de pedreiro”. O estado tem que dar um desfecho para esse caso, ser
capaz de investigar e dizer o que ocorreu e punir os responsáveis pelo
desaparecimento do Amarildo, declarou Renata.
Fonte: Agência Brasil

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