Os
moradores dos locais contaminados vivem em risco constante.
Um
alerta sobre o meio ambiente: ao todo, 141 áreas do estado do Rio estão
contaminadas por resíduos industriais que podem causar sérios danos à saúde. Os
moradores vivem em risco constante.
Existem
hoje no estado do Rio de
Janeiro 141 áreas comprovadamente contaminadas por substâncias
tóxicas ou cancerígenas. Um número preocupante, que pode ser ainda maior.
Segundo
a Secretaria do Ambiente, há no mínimo mais de 600 outras áreas com fortes
indícios de contaminação. São antigas instalações industriais que manipulavam
resíduos perigosos de forma inadequada.
Um
dos casos confirmados é o da Cidade dos Meninos, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. “A
gente vive em um permanente estado de incerteza. Não sabemos direito até que
ponto isso afeta a nossa vida”, diz o morador Havelino da Silva.
Uma
antiga fábrica de pesticidas abandonada pelo Ministério da Saúde na década de
50 virou foco de contaminação. Ao todo, 40 toneladas de uma substância
conhecida como pó-de-broca foram deixadas para trás sem nenhuma proteção.
Em
2002, constatou-se a presença de substâncias tóxicas no sangue e no leite
materno dos moradores, e a necessidade urgente da remoção das famílias para que
a descontaminação do solo e das águas pudesse ser feita. Mas 11 anos se
passaram e até o momento nada foi feito.
“Há
riscos de doenças metabólicas, alguns tipos de neoplasias, um risco bastante
diversificado graças a esse tipo de exposição”, afirma o médico
epidemiologista da Fiocruz Sérgio Koelfman.
O
prefeito de Duque de Caxias negocia a transferência da área da União para o
município. Ele promete remover as 700 famílias cadastradas, demolir as casas e
descontaminar o terreno até o final do mandato.
“Eu
acho que até junho ou julho nós vamos ter a ideia temporal de quando vai estar
resolvido. O que eu vou garantir a você: não terminarei o meu governo sem a
Cidade dos Meninos ter uma solução”, afirma o prefeito de Duque de Caxias,
Alexandre Cardoso.
Outra
área contaminada ainda sem solução é um terreno de dez mil metros quadrados em Volta Redonda. Segundo a Secretaria do
Ambiente, as 750 pessoas que moram nele devem ser removidas imediatamente do
local, um ex-lixão da CSN.
A
companhia nega a contaminação dos moradores, mas laudos técnicos da secretaria
confirmam a presença de substâncias tóxicas ou cancerígenas em níveis
intoleráveis para a saúde humana.
“O
nosso grande medo é de as coisas se agravarem para o nosso lado com as questões
da saúde”, diz um morador.
A
CSN foi multada em R$ 35 milhões, mas não pagou até hoje e nenhum morador foi
retirado do local.
A
lista das principais áreas atingidas por resíduos industriais engloba também
mais duas regiões menos conhecidas: um antigo centro de tratamento de resíduos
em Queimados, e uma fábrica de lâmpadas desativadas em um bairro na Zona Norte
do Rio.
Se
nessas áreas a situação ainda é crítica, para os moradores que vivem nas
margens da Baía de Sepetiba, o clima é de alívio. Uma das maiores áreas
contaminadas do Brasil inspirou um projeto inédito de recuperação do solo e das
águas.
Próximo
das águas da Baía de Sepetiba, 3 milhões de toneladas de metais pesados
ameaçavam a saúde dos moradores, da fauna e da flora da região. Onde anos atrás
havia uma montanha de substâncias cancerígenas e lagoas de águas tóxicas, hoje
há uma área descontaminada.
“O
solo, então, foi coberto com uma película de PVC e em cima dessa película foi
colocado um solo inerte, um solo não-contaminado evidentemente, e cobriu todo
esse resíduo sólido” explica o gerente geral de portos da Usiminas,
Carlos Henrique Neves.
A
companhia Usiminas pagou pela descontaminação do terreno para poder usá-lo como
porto, um investimento de R$ 185 milhões. Mas a maioria das áreas contaminadas
no Brasil não desperta o interesse das grandes indústrias.
Para
uma advogada especialista em direito ambiental, o governo do Rio deveria
divulgar todas as áreas contaminadas e não apenas as maiores. “A lista que ele
deve publicar com a relação de áreas contaminadas no estado já deveria ter sido
feita desde 2009. A maioria dos estados brasileiros está atrasado com relação a
essa publicação”, ressalta Renata Piazzon.
“Na
brevidade, todos esses dados vão estar na forma certa. O importante é que não
só as conhecemos, como estamos cuidando delas. E, como essa, devolvendo várias
descontaminadas”, afirma o secretário do Ambiente do Rio de Janeiro, Carlos
Minc.
Em
nota, a CSN afirmou que faz a gestão ambiental do Condomínio Volta Grande
Quatro há 13 anos. Segundo a empresa, cinco estudos técnicos já foram
realizados e não apontaram risco à saúde.
Quanto
ao cadastro de áreas contaminadas do Rio, o Instituto Estadual do Ambiente
afirmou que vai divulgar a versão preliminar na internet até o dia 30 de junho.
O instituto pretende concluir o cadastro até junho do ano que vem.
Fonte: G1

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