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| (Foto: Gonzalo Arselli) |
Grupo
de 30 alunos desliza sobre as ondas toda quinta-feira.
Prática do esporte socializa e proporciona melhoria psicológica.
Cercada
por águas cristalinas, não há quem resista um bom banho de mar em Armação
dos Búzios. Muito aproveitada pelos
turistas, as praias tranquilas ou com ondas convidam para a prática de esporte.
Pensando nisso, um grupo de aproximadamente 100 alunos resolveu deslizar sobre
as ondas da Praia de Geribá semanalmente. O que mais chama atenção é que, desse
grupo, 30 portadores de deficiência física e mental da cidade têm aproveitado
bastante a oportunidade de praticar o surf.
A
ideia do projeto com os alunos da Associação de Pais de Alunos Excepcionais
(Apae) é do surfista Márcio Ferreira da Silva (43). Ele contou que a vontade de ensinar o esporte
para os deficientes é antiga. "Há cinco anos eu estava na praia dando
aula, quando fui abordado por uma senhora. Ela me explicou que tinha uma filha
cega e que a menina tinha um sonho de surfar. Eu levei a menina para o mar,
ensinei todo o procedimento e ela conseguiu ficar em pé na prancha. Ao sair da
água, tinha uma galera aplaudindo e daí notei que eu tinha que ajudar os
deficientes", relembra o surfista.
De
lá pra cá, Márcio criou um projeto, mas só neste ano conseguiu botar seus
planos em prática, deixando os alunos e a Presidente da Apae de Búzios, Ângela
Barroso, bastante felizes. "O grande retorno para os portadores de alguma
deficiência vem por meio do esporte. Eles já praticam natação e futsal e,
agora, levam a sério o surf. O retorno disso é maravilhoso, porque traz
melhoria psicológica, e socializa esses alunos", analisa.
Ensinando surf
Ensinando surf
Antes de ter levado os alunos pela primeira vez à praia com sua " escolinha de surf", Márcio explica que analisou o grau de limitação de cada um. A partir daí, foram dados os primeiros passos dentro d´água, com cada aprendiz. "Cada um tem uma necessidade diferente. Os autistas entram no mar acompanhados por um instrutor, mas ficam sozinhos na prancha. Os cadeirantes precisam de um cuidado mais especial porque têm os movimentos mais limitados. Por isso, o instrutor fica junto com eles na prancha, apesar de ter uma cadeira para acomodá-los", explica o instrutor.
Entre
todos os alunos da escolinha, o que mais desperta a curiosidade é o Ezequiel
Carvalho. Ele é cadeirante, tem 32 anos, e nunca tinha mergulhado no mar,
apesar de morar no bairro Geribá. O pai dele, Jorge Rodrigues Carvalho, de 72
anos, explica que a prática do surf tem sido positiva na vida do filho. "
Toda vez que ele volta da aula, eu noto que ele se sente mais feliz. Ele tinha
ido à praia antes, mas apenas na areia. Com a escolinha, ele passou a mergulhar
no mar e fica eufórico", conta o aposentado.
Com
o sucesso das aulas para os portadores de deficiência, o próximo passo do
surfista Márcio Ferreira da Silva será organizar um campeonato no final deste
ano. Enquanto isso, as aulas continuam acontecendo toda quinta-feira, às 13h30
na Praia de Geribá, em Búzios.
Fonte: G1 Região dos Lagos

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