No dia 1º de outubro de 1949, o Partido Comunista chegava ao poder na China. Liderada por Mao Tsé-tung (1893-1976), a agremiação formada por camponeses, operários e estudantes, fundada em 1921, propunha a reforma agrária e uma política econômica e social anticolonialista, rompendo com o passado do país, até então terra dominada por imperadores e senhores feudais.
Ao discursar na Praça da Paz Celestial, em Pequim, o líder comunista implantava a República Popular da China. Mas o caminho que levou a nação mais populosa do mundo a se tornar a terceira maior economia global ainda teria enormes percalços.
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O regime comunista daria início a uma série de reformas com o objetivo de tentar industrializar o país. Mas o programa econômico mais ambicioso de Mao, conhecido como o “Grande Salto para a Frente”, cujo objetivo era acelerar a industrialização do país entre 1958 e 1963, teria resultados desastrosos, aumentando a fome e provocando mortes, principalmente nas zonas rurais.
A despeito do fracasso, o analista político Wladimir Pomar acredita que muitos dos métodos esboçados no plano ainda estão presentes na prática do regime comunista. “Na realidade, apesar das criticas a Mao, todos os métodos que ele instalou durante o processo da revolução continuam sendo utilizados e muito presentes nos documentos do Partido Comunista chinês”, diz o autor de “A Revolução Chinesa” (Ed. Unesp).
Revolução cultural
A tentativa de Mao Tsé-tung de recuperar a liderança no partido após a frustração com o plano levaria, na década de 1960, à Revolução Cultural, período marcado pela radicalização das teses maoístas e pela intensa perseguição política aos críticos do regime. Os líderes mais moderados do Partido Comunistas foram derrubados por estudantes integrantes da Guarda Vermelha de Mao.
Então secretário do partido, Deng Xiaoping foi preso e torturado. Mestre em relações internacionais pela universidade chinesa de Dhejianz, o brasileiro Ivan Quagio considera este período o ponto de inflexão no processo desencadeado pela revolução, após o “clímax” com as reformas anunciadas nos anos 50.
“[A Revolução Cultural] foi a evidência de que o regime não estava mais funcionando. Com a morte de Mao e o fim da revolução, em 1976, o país estava um caos completo, a população estava insatisfeita apesar de toda a propaganda comunista, a economia estava em frangalhos”, disse ao G1 de Xangai, onde vive há cinco anos, o autor do recém lançado “Olhos Abertos – A História da Nova China” (Ed. Francis).
Foi esse o contexto que, segundo o escritor, promoveria a ascensão de Deng Xiaoping ao poder, após uma dura disputa dentro do partido, entre o escolhido por Mao como seu sucessor, Hua Guofeng, e o Grupo dos Quatro, liderado pela viúva do ex-chefe do partido, Jiang Qing, e outros três líderes comunistas.
Insatisfeitos com as ações do grupo, considerados os principais autores das ações mais violentas durante a Revolução Cultural - pelo qual foram condenados à prisão perpétua no início dos anos 80 - os comunistas escolheram Deng Xiaoping como o novo líder do regime.
“Durante os anos 80, Deng foi peça de equilíbrio entre a parte conservadora e mais avançada do partido economicamente”, afirma Quagio. O país finalmente começava a avançar economicamente, mas sob um regime que se fechava cada vez mais politicamente. “Nos anos 80 houve uma campanha contra a poluição do espírito burguês – toda a influência ocidentalizada era considerada negativa à população chinesa“, diz o autor.
Massacre na Praça da Paz
A luta pelas liberdades pessoais levaria milhares de jovens chineses às ruas em junho de 1989, no episódio que ficou conhecido como o Massacre da Praça da Paz Celestial. Durante os protestos, que se estenderam por semanas, o governo empreendeu uma dura ação de repressão. A visita do então líder soviético Mikhail Gorbachev no mesmo período levou grupos de mídia do mundo inteiro ao país, o que deu aos protestos uma escala global.
As imagens ganharam o mundo e afastaram investidores do país. “Deng percebeu que se não fizesse nada pela imagem da China, o país pararia de crescer ou até retroceder. Foi aí que deixou os conservadores de lado e começou as reformas, iniciando uma série de viagens pela China para enaltecer o que havia sido construído, as fábricas, o lucro, a riqueza. Nos anos 90, ele foi o grande promotor da liberalização”, afirma Ivan Quagio.
A partir de então, o país encontraria o caminho do crescimento. Nos anos 90, o partido anuncia um programa de privatizações. A China iniciava um ciclo de crescimento com impressionantes índices em torno de 10% ao ano, sem recuar do forte controle político, o que inclui até mesmo a internet.
Potência global?
Se as contradições internas vão impedir que a China, que ultrapassou a Alemanha como a terceira maior economia do mundo, se torne um líder global, os pesquisadores sobre país ainda divergem.
“A China vai se transformar na maior potencia econômica do mundo. Está jogando pesadíssimo para resolver seus problemas ambientais. À medida que for criando uma nova cultura social, pode conseguir ser mais democrática até que outros países. Se isso vai acontecer é outro problema, já que as contradições internas muito grandes”, acredita Wladimir Pomar.
Para Ivan Quagio, é impossível prever se o impulso econômico levará o país a se tornar um líder global. “A China tem um crescimento enorme, invejável, mas a um custo muito grande que é o da liberdade de pensamento da população. Se este tipo de regime vai dar certo, se esse país vai ser uma potência global, só o futuro nos dirá.”
Terremoto matou mais de 770 pessoas em Sumatra, diz governo da Indonésia
Mais de 2.400 estão feridos na região de Padang, segundo ministério. Novo tremor ocorreu na madrugada desta quinta, com magnitude 6,6.
Pelo menos 770 pessoas morreram e 2.400 ficaram feridas depois do terremoto de quarta-feira na ilha de Sumatra, na Indonésia, informou nesta quinta-feira (1) o Ministério de Assuntos Sociais do arquipélago.
A terra voltou a tremer nesta quinta-feira. Segundo o Centro de Pesquisas Geológicas dos EUA, o novo tremor teve magnitude 6,6 e ocorreu a 160 km da província de Bengkulu, em Sumatra. O novo terremoto destruiu edifícios e deixou regiões sem energia. O abalo ocorre em meio a operações de resgate para retirar dos escombros sobreviventes do forte abalo de quarta, que teve magnitude 7.6.
"Pensamos que morreram milhares de pessoas", disse o chefe da célula de emergência do Ministério da Saúde, Rustam Pakaya.
"Não vamos subestimar o desastre. Vamos nos preparar para o pior. Vamos fazer de tudo para ajudar as vítimas", disse o presidente Susilo Bambang Yudhoyono em Jacarta, antes de ir para Padang.
Os trabalhos de resgate estão difíceis porque está chovendo e as telecomunicações estão cortadas na região antingida. O governo também teme que existam vítimas em áreas não urbanas da costa.A cidade de Padang, capital da província indonésia de Sumatra Ocidental, fica sobre uma das falhas geológicas mais ativas do mundo, parte do chamado "Anel de Fogo do Pacífico".
"Eu já vi terremotos aqui antes e este foi o pior. Há sangue por toda parte, pessoas com seus membros amputados. Vimos prédios caírem, pessoas morrendo", disse o norte-americano Greg Hunt, 38, no aeroporto de Padang. Um repórter da Reuters na cidade afirmou que os bombeiros estavam retirando pessoas dos edifícios, mas havia pouco sinal de alguma ajuda sendo distribuída. Foi reportada ainda uma falta de combustível e relatos de roubos.
Tsunami
O tremor ocorre um dia depois de um forte terremoto seguido de tsunami ter atingido a região de Samoa Americana e Samoa, na Oceania, deixando ao menos 100 mortos. O abalo foi sentido em toda a região, e alguns edifícios comerciais altos de Cingapura, 440 km a nordeste, foram desocupados.
Lula usa slogan de Obama para defender Rio como sede de Jogos de 2016
Em Copenhague, presidente comparou candidatura à sua trajetória política. Brasil vai entoar o lema 'sim, nós podemos', disse, em referência a Obama.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (1º) que, assim como ele precisou superar a desconfiança para se tornar o primeiro operário a alcançar à Presidência do Brasil, o Rio de Janeiro também vai provar que é possível realizar uma Olimpíada na América do Sul pela primeira vez. Em Copenhague para defender a candidatura do Rio aos Jogos de 2016, Lula acrescentou que seu discurso aos membros do Comitê Olímpico Internacional (COI) antes da votação de sexta-feira vai exaltar "o momento mágico" atravessado pela economia do país e disse que dessa vez é o Brasil que vai entoar o lema: "sim, nós podemos" - em referência ao slogan "yes, we can", da campanha à Presidência dos Estados Unidos de Barack Obama em 2008.
"Penso que é o mesmo tipo de convencimento", disse Lula a jornalistas em entrevista coletiva, comparando a campanha do Rio com a sua própria chegada à Presidência, em 2003, após ter sido derrotado em três campanhas presidenciais.
"Aqui a história se repete. Temos os Jogos Olímpicos muito marcados por serem feitos em países desenvolvidos... muitas Olimpíadas no continente europeu e muitas nos Estados Unidos. Queremos mostrar que o Brasil é o único país entre as dez economias do mundo que nunca realizou uma Olimpíada", acrescentou. O Rio, pela primeira vez na reta final de uma candidatura olímpica após duas tentativas frustradas, trava com Madri, Chicago e Tóquio uma das mais apertadas disputas olímpicas dos últimos anos, em que, segundo o presidente, "pela primeira vez todo mundo quer ser o pai da criança". O papel do presidente é considerado chave na campanha da cidade, especialmente porque Chicago - vista por sites especializadas como favorita ao lado do Rio - terá o apoio do presidente dos EUA, Barack Obama, na votação dos membros do COI. "Queremos dizer ao mundo que nós podemos. Nós nunca dissemos. No Brasil estávamos habituados a dizer nós não podemos, somos pobres, como se fôssemos cidadãos inferiores. Mas desta vez queremos olhar para o mundo e dizer: 'Sim, nós podemos e vamos realizar essa Olimpíada'", disse Lula, numa concorrida entrevista no hotel que serve de base para a delegação brasileira na capital dinamarquesa.
Investimento
Um dos trunfos da candidatura brasileira está no momento econômico do Brasil, que foi um dos últimos países a sofrer as conseqüências da crise econômica global e um dos primeiros a apresentar sinais de recuperação. Segundo o presidente, a realização dos Jogos Olímpicos se encaixa com o plano de investimento em infraestrutura no país através do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) e ainda contará com obras que já estarão prontas para a Copa do Mundo que acontecerá dois anos antes no Brasil. "Todo mundo que acompanha a economia sabe que o Brasil está hoje numa situação mais favorável que muitos países desenvolvidos", disse. "Enquanto muitos países do mundo vivem o desemprego, nós vamos chegar este ano a 1 milhão de novos postos de trabalho, contra milhões de desempregados no mundo todo", afirmou. "As Olimpíadas virão apenas a nos forçar a fazer mais coisas do que já estávamos prevendo fazer. Só os investimentos em infraestrutura nesse momento chegam a US$ 359 bilhões", acrescentou o presidente, que também citou as descobertas de reservas de petróleo na camada do pré-sal como fonte de recursos para investimentos em infraestrutura. Se mostrando bastante confiante na candidatura brasileira - disse inclusive que não trabalha com a hipótese de o Rio perder - o presidente afirmou que nenhuma concorrente apresentou uma proposta tão boa quanto a da cidade e que há bastante tempo até os Jogos para melhorar o que for preciso. "Ninguém apresentou um projeto da magnitude que nós apresentamos e com a consistência que nós apresentamos", disse Lula. "Não vou falar da beleza do Rio, das qualidades do povo do Rio, vou apenas dizer que o Brasil e a América do Sul estão querendo pegar essa oportunidade com unhas e dentes para que a gente possa levar pela primeira vez para o continente a possibilidade de realizar uma Olimpíada."
Gêmeos de 96 anos 'disputaram' a mesma namorada em 1943
Triângulo amoroso foi revelado à família por causa da novela 'Viver a Vida'. Na trama, modelo vive relacionamento semelhante com irmãos gêmeos.
Os irmãos gêmeos Primo e Segundo Carvalho têm 96 anos e ainda dão risadas do que aprontaram na juventude. Nascidos em 1913, em Córdoba, na Argentina, os dois são filhos de lavradores italianos e foram levados para Muqui, no Espírito Santo, aos três anos. Quando tinham 30 anos, dividiram a mesma namorada, mas, por insistência do 'caçula', Segundo, a moça foi deixada de lado pelo mais 'velho', Primo. O namoro resultou em casamento, que hoje já dura 52 anos.
O triângulo amoroso era segredo entre os irmãos e Dejanira Ferreira Camargo, 87 anos, que se casou com Segundo em 1947. A história foi revelada para toda a família depois que a dona de casa começou a assistir a novela "Viver a Vida", cuja trama relata a vida de dois gêmeos que têm um relacionamento com uma mesma mulher.
"Eu estou dando risada com a novela porque a história é parecida com a que vivemos no passado", disse Dejanira ao G1. Ela afirmou que era namoradeira e não fica encabulada de lembrar do antigo namoro com o atual cunhado. "Antes de ficar com Segundo, namorei Primo por alguns meses. Com Segundo, o namoro foi mais longe e ficamos juntos por quatro anos, até nos casar."
Segundo credita a conquista do coração de Dejanira por se achar mais bonito que o irmão. "O sucesso é a pinta que tenho no nariz", disse ao G1. A mulher confirma a informação. "Cheguei a namorar os dois ao mesmo tempo, mas não era de propósito. Eles não faziam isso de maldade, nem eu. Teve uma época que eu tinha de perguntar o nome quando encontrava com um deles sozinho. No fim das contas, a pinta no nariz fez mesmo a diferença", afirmou Dejanira.
Primo ficou viúvo há um ano e mora em Vila Velha (ES). Segundo mora com a mulher em Vitória e é vizinho dos próprios filhos e netos. "Essa história foi uma surpresa para a família toda. Agora, quando contamos aos amigos sobre o triângulo amoroso, eles ficam dando risada pela casa", disse a nora de Segundo, Delcy Sartório Camargo.
Filhos de italianos e nascidos na Argentina, os dois afirmam categoricamente que são brasileiros. "Eles odeiam o Maradona e vibraram com a última goleada da seleção brasileira pelas eliminatórias da Copa do Mundo. Se puderem, eles escondem que nasceram na Argentina", disse o neto Reynaldo Sartório Camargo.
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