O governo da Indonésia reivindicou nesta sexta-feira (2) ajuda internacional para as vítimas do terremoto que atingiu na quarta-feira (1º) o oeste da ilha de Sumatra, e causou a morte de mais de 800 pessoas, segundo dados das Nações Unidas.
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"Necessitamos ajuda dos países estrangeiros para que mandem trabalhadores de resgate qualificados e equipamento moderno", explicou a ministra da Saúde indonésia, Siti Fadilah Supari.
Os governos de Austrália, Coreia do Sul e Japão, entre outros, devem enviar à região afetada pessoal especialista em situações de emergência. A prioridade é localizar sobreviventes soterrados.
O terremoto custou a vida de pelo menos 770 pessoas, mas segundo o governo da indonésia esse índice deve ultrapassar os 1.000 mortos.
Milhares de pessoas seguem soterradas sob edifícios e casas demolidos pelo terremoto que devastou a região, e que deixou também cerca de 2.400 feridos, sobretudo em Padang, a cidade mais afetada.
Não sabemos por que lutamos, diz médica alemã que serviu no Afeganistão
Heike Gross, de 49 anos, que esteve no front afegão, falou ao G1. Segundo ela, violência da guerra atual torna papel do médico 'supérfluo'.
Ela serviu por quase dois anos no Afeganistão, como médica do Exército alemão, antes de se desligar da missão e sofrer um colapso nervoso. Depois de se recuperar, Heike Gross, de 49 anos, decidiu escrever sobre sua experiência nos campos de batalha, sobre o sofrimento de perder soldados e amigos e sobre a dificuldade em lidar com os traumas causados por "uma guerra que ninguém sabe o motivo", segundo ela. Seu livro, "Ein schöner Tag zum Sterben" ("Um belo dia para morrer"), ainda não tem tradução para o inglês ou para o português.
Numa entrevista à revista "Spiegel", em agosto, Heike contou que a missão - que descreveu como "insana" - ia bem, até que um ataque em 2003 matou quase todos do comboio em que ela estava. "Foi um caos absoluto, e era muita coisa para nossos assistentes aguentarem."
A Alemanha tem 4.200 soldados servindo nas forças da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) no Afeganistão. Elas não participam de combates diretos, como as americanas, mas servem como apoio. As tropas comandadas pelos EUA invadiram o país em 2001, logo após os atentados de 11 de Setembro, nos EUA. O argumento era atacar as bases do Talibã e da rede al-Qaeda nas regiões remotas do país.
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Em entrevista ao G1, por telefone, Heike contou como a guerra afetou a sua vida e como seu relato comoveu "os homens mais duros" do Exército. Para ela, o papel do médico nas guerras de hoje foi diminuído por causa da capacidade destrutiva das bombas. "As pessoas simplesmente morrem, são destruídas. Não há como salvá-las." Leia abaixo a íntegra da entrevista:
G1 - Quando a senhora entrou para o Exército?
Heike Groos - Eu entrei pela primeira vez logo após a faculdade de medicina e fiquei por quatro anos. Saí, pois tinha quatro filhos e queria ter mais controle do tempo. Mas eu sempre trabalhei com emergência, o que na Alemanha na época significava que trabalhávamos em ambulâncias e helicópteros. Nesse meio tempo, eu também estudei. Até que eles me ligaram, e eu retornei em 2002.
G1 - E quando foi pela primeira vez ao Afeganistão? Como foi a experiência?
Heike Groos - Foi em maio de 2002, fiquei por três meses numa missão voluntária. Achei que fosse realmente uma missão de paz. As pessoas estavam felizes, a guerra tinha acabado, nós simbolizávamos a paz para eles. Foi pacífico, nós fizemos trabalhos humanitários em hospitais, trabalhamos com os locais.
G1 - Quando a senhora voltou? E foi novamente uma boa experiência?
Heike Groos - Em maio de 2003. No começo, foi, mas as coisas mudaram de repente, quando um ataque com um ônibus mudou tudo. Soldados já haviam morrido em missões anteriores, mas por outras razões, como acidentes de trânsito, colisões de helicópteros, mas eram acidentes. Esse foi o primeiro ataque, e a partir daquele dia nós nos sentimos ameaçados, obviamente sabíamos que tinha pessoas naquele país que queriam nos matar.
G1 - A senhora disse que a guerra de hoje fez o papel dos médicos se tornar supérfluo. Em que sentido?
Heike Groos - Se você explodir uma bomba, as pessoas estão mortas, não há nada que você pode fazer. Claro que, se existirem feridos, vamos tratá-los, mas a maioria deles morrem imediatamente. E eu também estava falando das feridas emocionais, não podemos ajudá-los porque eles não deixam. Essa guerra não é como aquelas que costumávamos ter. Dessa vez estamos sendo atacados e não podemos revidar. E, no final, eles estão apenas mortos. Não estão feridos, estão mortos. E não há nada a se fazer.
G1 - Quando a senhora estava no Afeganistão, depois do ataque de 2003, não havia mais o sentimento de ajuda?
Heike Groos - Na parte final da missão ocorreram mais ataques, víamos soldados serem mortos, atacados, baleados, bombardeados, o tempo todo. Mas essa não é a razão de eu ter saído. Somos soldados, é esperado que estejamos expostos ao confronto com pessoas morrendo, especialmente com uma zona de guerra.
Eu não concordo com a forma com que esta missão está sendo conduzida. Nós estamos lutando e nem sabemos o porquê. O soldado que é enviado ao Afeganistão é jogado em toda aquela agressão e nem sabe o motivo. Não faz o menor sentido estarmos no Afeganistão. Nossos políticos não explicam e não conseguimos ver nenhum esforço nessa direção, as coisas só pioram.
G1 - O que a senhora pode dizer que ficou dessa experiência toda? Heike Groos - Bom, eu aprendi muito sobre mim, a lidar com o estresse. E fiz muito bons amigos e conheci pessoas especiais. No lado ruim, vi que não há senso comum, pessoas que não concordam são colocadas em posições de liderança política.
G1 - A senhora acha que a situação piorou entre 2002 e 2007?
Heike Groos - Quando fui em 2007 pude sentir como todas as pessoas estavam tensas e assustadas. Havia mais agressão, mais luta, mais mortes. E, ainda, os soldados não sabiam o motivo de estarem indo pra lá. E foi aí que eu decidi deixar o Exército. Eu liguei de lá do Afeganistão para o ministro da Defesa e disse que queria sair, que não queria participar de um sistema em que jovens tinham que morrer e não conseguia ver o motivo.
G1 - E o que a senhora ouviu como resposta? Heike Groos - Ele me disse que respeitava minha decisão e que eu poderia voltar quando quisesse. O que me deixou confusa. Então respondi: "Não consigo entender, acabei de dizer que não concordo com a guerra e o senhor ainda me quer?". Acho que isso provou que minha decisão estava certa.
G1 - Quando a senhora decidiu escrever o livro?
Heike Gross - Isso foi no ano passado, após eu sofrer um colapso nervoso. Eu decidi colocar no papel minhas experiências e descobri que consigo me expressar melhor escrevendo do que falando, foi por isso que o fiz. Eu concordei em publicar após receber as respostas dos meus amigos que leram dizendo que ficaram emocionados e que essa era a coisa certa a se fazer, encorajar as pessoas a falar sobre isso, encorajar o pensamento de que os soldados são seres humanos e devem ter o direito de ter emoções e de chorar.
Quando pensei na publicação, sabia que isso teria consequências, que meus filhos podiam ouvir que a mãe era uma pessoa traumatizada. Mas meus filhos me encorajaram, e eu recebi muito apoio. E sou recompensada toda vez que recebo um e-mail. Alguns soldados de alta patente, homens muito fortes, me escrevem dizendo que choraram. Eu estou muito surpresa por essa reação e sinto que estou fazendo uma coisa boa.
Misto de brincadeira e homenagem, brasileiro recria hits de pagode em inglês
Pagodeversions traz sucessos de Os Morenos e Só Pra Contrariar. ‘A galera não valoriza o pagode dos anos 90’, diz o músico Túlio Bragança.
É um vídeo em preto-e-branco, e um sujeito com costeletas toca violão cantando um refrão conhecido: “My God no!/ I can’t face this pain/ That’s called love/ It takes every part of myself/ Day by day, little by little/ I’m already getting crazy just because of you”. Se o inglês um pouco capenga, digno de tradutor automático não deixa transparecer à primeira vista que música é essa, a melodia é mais facilmente reconhecível. É um trecho de “Que se chama amor”, sucesso do grupo Só Pra Contrariar na década de 90. O responsável pelo projeto é Túlio Pires Bragança, um redator brasileiro que mora em Buenos Aires. “É uma brincadeira, mas também é uma homenagem”, explica o músico, em entrevista por telefone ao G1. “Hoje não é mais meu gosto, mas eu fui fã dessas músicas na adolescência. Eu sempre toco pagode no violão, e um dia fiz algumas versões em inglês, só para mandar para os meus amigos, como uma piada interna”, conta. Ele criou a conta “Pagodeversions” (“versões de pagode”, em inglês) no YouTube e depositou ali algumas pérolas. Além de Só Pra Contrariar, hits de grupos como Molejo (“Caçamba” virou “Bring the caçamba”), Exaltasamba (“Me apaixonei pela pessoa errada” é “I’ve fallen in love with the wrong person”) e Os Morenos (“Marrom bombom” foi traduzida ao pé da letra para “Brown goodgood”) fazem parte do ainda curto repertório.
Semanal
“Agora o projeto vai crescer, estou tentando gravar um por semana, sempre pensando naquele que a letra vai ficar mais engraçada”, planeja Túlio. “Se eu for pensar mesmo, é engraçado que é uma música ‘de corno’, mas em inglês as letras não parecem tão piegas. Porque às vezes não tem tanta diferença de uma letra em inglês com a qual as pessoas se identificam, mas no final querem dizer a mesma coisa – ‘eu te amo, você me deixou e agora eu sofro’’.
Brincadeiras à parte, Túlio defende o pagode como estilo musical. “Foi uma coisa muito importante nos anos 90 e a galera não valoriza. É meio injustiçado mesmo. De um tempo para cá a galera se voltou muito mais para o samba, como Zeca Pagodinho e Jorge Aragão, que são legais – mas de alguma maneira as pessoas renegam o pagode, que é a música do povão. Eu torço muito para que, se vier a moda da volta dos anos 90, volte o pagode.”
O preto-e-branco do vídeo foi escolhido para dar uma “cara” ao projeto. Já os arranjos são mais intuitivos. “Eu lembro das letras, mas uso cifras para tirar os acordes. Também tento fazer as versões ficarem com mais cara de violão, e menos no ritmo do pagode”. Fã de rock britânico, Túlio largou o pagode quando conheceu o Oasis. Quando morava em Curitiba, tocava violão e cantava na banda Johnz. Em Buenos Aires criou o projeto-solo Buenos Aliens, com composições próprias em português.
Sonho
Sem lugar para tocar suas versões na capital argentina – “aqui eles não têm a cultura de barzinho e violão” – ele não descarta fazer apresentações em alguma viagem para visitar a família e amigos no Brasil. “Se me chamarem eu vou. Imagina só, sonhando alto, um dueto com o Luiz Carlos do Raça Negra. Se o Anderson do Molejo ouvisse a minha versão já ia ser legal”. Falando por e-mail ao G1, Alex Alves, cantor d’Os Morenos comemora a versão de “Marrom bombom”. “É uma honra saber que a nossa música alcançou este mérito de ser traduzida para outro idioma. Ela foi uma música de grande sucesso no Brasil inteiro e na América do Sul em meados de 95. Inclusive nós fizemos vários shows pelo Uruguai, Paraguai na época, sempre com casa cheia". Agora só falta cantar junto, mas na língua da Rainha.
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