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 Obama telefona para Lula e expressa desejo de trabalho conjunto

Presidente dos EUA quer vir ao Brasil ainda neste ano.

Lula deve fazer visita a Obama em março.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Hussein Obama, telefonou nesta segunda-feira (26) para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A conversa durou cerca de 25 minutos e, segundo o porta-voz da presidência da República, Marcelo Baumbach, foi um primeiro contato para iniciar a relação dos dois presidentes.

Lula disse ao novo presidente norte-americano que tem especial interesse que os dois países enfatizem sua parceria pela paz mundial, no fortalecimento do G-20, na ajuda aos países africanos e, em especial, discutam temas relacionados às mudanças climáticas e os biocombustíveis. 

Durante a conversa, Obama convidou Lula para visitá-lo. O encontro deve ocorrer em março, quando o presidente brasileiro estará em Nova Iorque para participar de um seminário com empresários. Segundo Baumbach, depois dessa reunião com empresários Lula deve se deslocar para Washington para se reunir com Obama.  O presidente norte-americano também demonstrou interesse em visitar o Brasil. “O presidente também convidou Obama para visitar o Brasil. Não ficou fechada uma data, mas o presidente norte-americano disse que poderia ser durante o verão dos Estados Unidos”, comentou o porta-voz. 

A conversa entre os dois teve um clima muito leve e no final do telefonema Obama pediu a Lula que o chamasse pelo primeiro nome. O presidente brasileiro aceitou e pediu que norte-americano também o chamasse apenas de Lula.  O porta-voz disse que Lula salientou a Obama que sua eleição fará com que a visão da América Latina e do mundo sobre os Estados Unidos mude. “A sua eleição transcende os Estados Unidos”, disse o presidente a Obama.

 

Economia

Os dois presidentes não trataram de temas específicos da crise ou da economia dos dois países, mas Obama disse que já tinha ordenado aos membros de sua equipe econômica conversassem com os pares brasileiros para “aproximar” as posições dos dois países na reunião do G-20 financeiro.  A reunião do G-20, que é coordenado pelo Brasil, será em Londres, na Inglaterra, em abril. Segundo o porta-voz, eles não detalharam quais posições precisam ser integradas entre os dois países.  Obama disse a Lula que pretende trabalhar junto com o Brasil para retomar as negociações da rodada Doha, com o objetivo de ajudar no combate à crise financeira mundial.   Baumbach informou ainda que o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, também deve conversar por telefone com a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, nesta segunda-feira. “Eu imagino que também será uma conversa introdutória para a relação dos dois países”, comentou. 

 

Brincadeira

A conversa entre os dois teve momentos de descontração. Quando Lula comentou com Obama que tinha visto sua cerimônia de posse e notado que parte do público era formado por negros e pobres e que entendia como era isso porque o Brasil é a segunda maior nação negra do mundo, atrás apenas da Nigéria, o norte-americano brincou: “Eu sei, se eu fosse ao Brasil todos pensariam que eu sou brasileiro, até que começasse a tentar falar português”, contou um dos assessores que ouviu o telefonema.

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Brasil

Brasil quer ajudar a África a cuidar de suas florestas

Novo centro do Inpe vai treinar técnicos africanos. 

Eles têm acesso gratuito a imagens de satélite brasileiras.

O Brasil vai ajudar países africanos no monitoramento de suas florestas tropicais, oferecendo imagens de satélite e treinamento a técnicos, para que possam realizar naquele continente acompanhamento semelhante ao que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) faz da devastação na Amazônia. "Queremos fazer um Deter africano", anima-se o diretor do instituto, Gilberto Câmara. Deter é a sigla para Detecção de Desmatamento em Tempo Real, sistema que faz o registro oficial do desmatamento na Amazônia e cujos dados são usados no mapa interativo do Globo Amazônia

Aprenda a vigiar a floresta usando o mapa do Globo Amazônia .

A República Democrática do Congo, por exemplo, tem a segunda maior floresta tropical do mundo e também enfrenta problemas com a exploração madeireira, mineração e expansão agrícola. Na semana passada, o governo do país cancelou dois terços dos contratos de madeireiras que operavam em suas matas, após verificar que elas não tinham cuidados ambientais mínimos. 

Antenas

O primeiro passo para a implantação de um sistema de vigilância da floresta como o Deter (que fornece dados também ao mapa interativo do Globo Amazônia) na África é a instalação de antenas para a recepção de imagens no continente. "Vamos estender a cobertura do Cbers (satélite sino-brasileiro) para a África", explica Câmara.  Atualmente, já existem três receptores na África para receber o sinal do Cbers – no Egito, na África do Sul e nas Ilhas Canárias (que pertencem à Espanha). O problema é que estes pontos não são adequados para o monitoramento da floresta tropical, que se situa em alguns dos países mais pobres do continente, como Gana, Quênia e Gabão.   "Estamos em negociação com estes países, mas eles não têm recursos para instalar os receptores. Estamos buscando fontes de financiamento externas", comenta Câmara. Segundo o diretor, o contato com os países africanos tem sido positivo, pois eles veem com muito bons olhos o apoio brasileiro. "Nossa política é não-comercial", diz, enfatizando que as imagens produzidas pelos satélites sino-brasileiros são cedidas gratuitamente. Depois que for lançado, em 2011, o satélite Amazônia-1 também transmitirá dados para a África. 

Centro de formação

Outra forma de apoio aos países africanos será a formação de técnicos capazes de interpretar as imagens vindas do espaço no novo centro do Inpe em Belém (PA), a ser inaugurado ainda em 2009. "A unidade já está operando, mas ainda falta terminar algumas coisas para que possamos inaugurá-lo oficialmente", explica Câmara. 

Na capital paraense, o instituto vai treinar pessoal especializado na análise de informações sobre florestas tropicais. A localização é estratégica, pois facilitará o trabalho de campo. Segundo o diretor do Inpe, é fundamental que os novos profissionais tenham muita experiência dentro da mata para fazerem bem seu trabalho. "Manteremos ali de 40 a 50 pessoas com formação de mestrado ou doutorado", informa.  O objetivo da nova unidade é fazer com que o monitoramento da Amazônia evolua de maneira a permitir não só a detecção do desmatamento, como também a evolução do uso do terreno. "Hoje o Inpe não está conseguindo responder se a área desmatada virou campo de soja, de criação de gado, ou se simplesmente alguém tacou fogo e largou lá. Junto com a Embrapa, queremos responder a esta pergunta", observa Câmara. "Este foi, inclusive, um pedido do ministro da Agricultura (Reinhold Stephanes) – saber quem está desmatando".   O diretor do Inpe explica que o novo centro de Belém será designado o centro de referência para o trabalho do instituto com os países africanos.

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