Documento com detalhes é vago e não define responsabilidade, diz ONG.
Os países
do Ártico foram vagos em seus planos de cooperação contra vazamentos de
petróleo na região do Polo Norte, e deveriam ter definido com mais rigor a
responsabilidade das empresas por eventuais acidentes, afirmaram ambientalistas
na segunda-feira (4).
Um
documento de 21 páginas redigido pelos oito países do Conselho Ártico diz que a
região "deve manter um sistema nacional para responder imediata e
efetivamente aos incidentes de poluição petrolífera" nessa gélida região,
que está se tornando alvo de exploração devido ao aquecimento global.
Agências
internacionais tiveram acesso e anteciparam o teor do documento, que deve ser
aprovado em maio deste ano. Ele não detalha várias medidas, como contratação de
pessoal, navios, equipamentos de limpeza e responsabilidades corporativas por
eventuais derrames de petróleo no Ártico, onde os Estados Unidos estimam estar
13% das reservas petrolíferas ainda não descobertas do planeta, e 30% das
reservas de gás não descobertas.
Os países
redigiram esse documento num momento em que empresas como Royal Dutch Shell,
Conoco Phillips, Lukoil e Statoil voltam seus olhos para a região do Polo Norte,
apesar dos custos e riscos envolvidos. Em 31 de dezembro, o mau tempo provocou
o encalhe da plataforma petrolífera Kulluk, da Shell, na costa do Alasca.
"O
documento não encara os riscos de um vazamento de forma significativa",
disse Ruth Davis, do Greenpeace, que entregou o documento à Reuters.
Autoridades confirmaram a autenticidade do texto.
O
Greenpeace, que luta pela proibição da prospecção petrolífera no Ártico, disse
que o texto é "escrito de forma tão vaga que terá pouco valor prático na
elevação do nível de preparação" contra acidentes.
"Deveríamos
estar bem além deste documento rudimentar", ecoou Rick Steiner, consultor
ambiental, ex-professor da Universidade do Alasca e crítico contumaz da indústria
do petróleo. Ele disse que o conselho deveria dar mais ênfase à prevenção dos
vazamentos.
O Conselho
Ártico, formado por EUA, Rússia, Canadá, Suécia, Finlândia, Noruega, Islândia e
Dinamarca (país que controla a Groenlândia), vê a cooperação como um grande
avanço para a região, onde a cobertura de gelo atingiu seu menor nível no verão
de 2012.
"Haverá
muitas melhorias em comparação a hoje - simplesmente por tornar mais fácil para
que os países árticos se ajudem mutuamente quando necessário", disse Karsten
Klepsvik, que até o final de 2012 era especialista da chancelaria norueguesa em
questões polares.
O
documento define, por exemplo, um contato ininterrupto entre os oito países
para questões emergenciais, além de estipular regras nacionais para permitir o
rápido transporte de equipamentos de limpeza pelas fronteiras marítimas, um
melhor monitoramento e treinamentos conjuntos.
Os
ministros de Meio Ambiente dos países do Conselho Ártico vão se reunir na
terça-feira (5) e na quarta-feira (6) em Jukkasjarvi, na Suécia, para discutir
a proposta.

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