Pena foi
reduzida em um terço, após réu aceitar delação premiada.
Outros 10 PMs são acusados de participar do crime ocorrido em 2011.
O cabo da
Polícia Militar Sergio Costa Júnior, réu confesso no processo da morte da juíza
Patricia Acioli, foi condenado a 21 de prisão por homicídio triplamente
qualificado - motivo torpe, mediante emboscada e para ocultar crimes anteriores
- e formação de quadrilha. Ele foi benefeciado pela delação premiada tendo sido
reduzida a pena total em um terço.
Na
sentença, o juiz Peterson Simão, da 3ª Vara Criminal de Niterói, na Região
Metropolitana do Rio, considerou o crime de "extrema ousadia" e muita
"gravidade". "As declarações dele contribuíram para as
descobertas do crime [..] todavia a redução da pena será fixada no valor
mínimo", disse o juiz, sobre o benefício da delação premiada.
Na
sentença, o magistrado determinou que o condenado cumpra a pena, inicialmente,
em regime fechado, e em cela individual, com a devida proteção. Além disso,
pela decisão judicial, Sérgio perdeu o cargo público.
O juiz
mandou ainda que as armas utilizadas no crime sejam encaminhadas para
destruição no Exército e que o condenado pague as custas do processo, no valor
de 200 salários mínimos.
A
magistrada foi morta em 2011, com 21 tiros, quando chegava em casa, em
Piratininga, Niterói. Ela já havia condenado PMs e estava responsável por
julgar casos de supostos autos de resistência, cujos investigados também eram
policiais.
Além de
Sérgio, outros 10 PMs são réus no processo, incluindo o então comandante do 7º
BPM (São Gonçalo), Cláudio Oliveira. O batalhão fica na mesma comarca, onde a
juíza atuava.
Parentes
protestam em porta de fórum
Mais cedo, parentes de Patricia Acioli colaram cartazes na grade do Fórum de Niterói. A família confeccionou faixas, utilizando as cores azul e branco, as mesmas tonalidades da bandeira do Rio de Janeiro, com a frase "faxina geral na PM".
No meio do
cartaz foi colocada a foto de Patrícia, ao lado dos nomes dos 11 policiais
militares acusados de participar do assassinato.
Às 13h30,
teve início a fase de debates entre acusação e defesa no julgamento de Sérgio
Costa Júnior. O promotor do caso, Leandro Silva Navega, apresentou aos jurados
o vídeo de uma reportagem do Fantástico, exibida após o assassinato da
magistrada, que mostra de que forma atuavam quadrilhas formadas por policiais
militares de São Gonçalo, na Região, Metropolitana, município onde a juíza
atuava.
“Patricia decretou a prisão desses policiais naquele dia e, por isso, eles a executaram dessa maneira cruel. E o coronel [Cláudio Oliveira, então, comandante do 7º BPM (São Gonçalo)] tinha conhecimento disso e não fez nada”, disse em seu discurso, o assistente de acusação Técio Lins e Silva.
“Patricia decretou a prisão desses policiais naquele dia e, por isso, eles a executaram dessa maneira cruel. E o coronel [Cláudio Oliveira, então, comandante do 7º BPM (São Gonçalo)] tinha conhecimento disso e não fez nada”, disse em seu discurso, o assistente de acusação Técio Lins e Silva.
Crime
Em seu depoimento, o cabo da PM Sérgio afirmou que teria dado cerca de 15 tiros no carro onde a juíza estava. Ainda segundo ele, no dia 11 de agosto de 2011, quando já havia rumores de que Patrícia Acioli decretaria a prisão dos envolvidos em um auto de resistência de um menor de idade, o grupo decidiu executar o plano de matar a magistrada.
Quando
Sérgio e o tenente Daniel Benitez aguardavam pela saída da juíza do fórum,
teriam visto nas redondezas o carro da advogada Ana Cláudia Abreu Lourenço,
defensora de alguns suspeitos do assassinato do menor. Foi então que Benitez
ligou para a advogada e recebeu a notícia de que a prisão deles havia sido
pedida.
Envolvimento
de comandante
Questionado pelo promotor Leandro Navega, Sérgio admitiu que ele e o tenente Daniel Benitez não executaram a juíza no caminho para não serem flagrados por câmeras. "E se fosse
O cabo
também voltou a dizer que no dia em que chegaram à Unidade Prisional da PM
(BEP), eles receberam a visita do tenente-coronel Cláudio Luiz Oliveira, que
teria dado força ao grupo. "Depois, ele (Cláudio) ficou só com o Benitez.
À tarde, quando o Benitez veio conversar com a gente, falou que tinha dito ao
tenente-coronel que executou a juíza com ajuda de milicianos", afirmou
Sérgio. Para o assistente de acusação Técio Lins e Silva, o depoimento do cabo
deixa evidente o envolvimento do tenente-coronel no homicídio.
No final do
depoimento, que durou cerca de uma hora e meia, o réu disse ter se arrependido
muito de tudo o que havia feito, tanto para sua própria família, como para a
família da juíza."No dia que cheguei em casa chorei muito. Tenho muito
arrependimento e tenho que pagar pelo que fiz".
Outros
acusados
Os réus Junior Cezar de Medeiros, Jefferson de Araújo Miranda e Jovanis Falcão Junior serão julgados no dia 29 de janeiro de 2013, também às 8h.
O juiz
Peterson Barroso Simão também decidiu desmembrar o processo em relação aos
outros sete acusados, incluindo o tenente-coronel Claudio Luiz de Oliveira,
acusado pelo Ministério Público de ser o mandante do crime.
Ele e o
tenente Daniel Benitez estão no presídio federal de Campo Grande, no Mato
Grosso do Sul. Os demais estão presos na cadeia pública Pedrolino Werling de
Oliveira, conhecida como Bangu 8, no Complexo Penitenciário de Bangu, na Zona
Oeste do Rio.
De acordo
com o Tribunal de Justiça do Rio, os demais acusados aguardam o julgamento de
recursos contra a sentença de pronúncia. Os recursos serão julgados pelo
Superior Tribunal de Justiça (STJ) e Supremo Tribunal Federal (STF).
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