Parceria
entre Furnas, Eletrobras e Prefeitura de Macaé implantou sinalização em ponto
crítico do município.
Macaé
é uma cidade que cresce a cada dia. Tal crescimento tem gerado muitos
benefícios em relação à economia da cidade, mas, em contrapartida, a redução de
áreas de vegetação preocupa, já que o município abriga diversas espécies de
animais silvestres, inclusive várias ameaçadas de extinção.
Nessa
lista é possível encontrar roedores, mamíferos, anfíbios, répteis, insetos e
aves. Com a expansão da cidade e a diminuição de áreas verdes, tem sido cada
vez mais comum encontrar esses animais dentro do perímetro urbano.
Para
amenizar esses impactos e preservar as espécies, o Departamento da Guarda
Ambiental vem realizando um trabalho de grande importância no município,
resgatando, através de denúncias da própria população, esses animais, prestando
os cuidados necessários e na maioria das vezes remanejando para áreas de
preservação ambiental.
Mas
nem sempre o final é feliz. Considerado um dos principais responsáveis pela
morte de vertebrados no país, superando a própria caça, o atropelamento nas
estradas é uma questão que deve ser tratada com mais atenção de todos, seja do
poder público (com medidas
preventivas e sustentáveis), quanto da população
(com a atenção redobrada e cuidados).
Segundo
dados, a cada minuto morrem cerca de 28 animais por atropelamento nas estradas
brasileiras. Se levarmos em conta o dado anual, esse valor chega a assustar.
Por ano são mortos uma média de 14,7 milhões de bichos. Esse dado pode ser
muito superior, se o monitoramento fosse feito em todas as estradas do
território nacional.
Em
Macaé, por exemplo, esses dados não são atualizados há anos, tendo apenas uma
estimativa feita pela Guarda Ambiental do município. De acordo com o órgão,
foram registrados em 2012 apenas 32 casos de animais mortos em atropelamento
nas rodovias RJ-168, Rodovia do Petróleo e na região do Lagomar, divididos da
seguinte maneira: 10 gambás, oito cobras, três capivaras e 11 aves (duas
corujas suindaras, um agulhão, três urubus e cinco anus).
O
coordenador da Guarda Ambiental, Madson Nazareno, diz que esses números devem
ser muito superiores, já que um levantamento preciso não é feito em
Macaé.
No
final do mês de maio, a equipe do jornal O DEBATE acompanhou a equipe de
agentes ambientais em um desses casos, onde uma jiboia, ainda jovem, de
aproximadamente 1,30 metro, foi encontrada morta no acostamento da
RJ-168.
Na
época, Madson explicou que ao voltar de uma operação na Região Serrana, o animal
foi encontrado atravessando a pista. Quando a equipe tentou parar o trânsito
para resgatá-la, um caminhão em alta velocidade acabou passando por cima do
animal.
"Essa
é uma rodovia que tem uma área de vegetação no entorno e a sinalização é muito
precária. No momento que tentamos parar para salvá-la, acabou acontecendo essa
fatalidade. Quero pedir à população que tome muito cuidado nessas regiões de
mata, que reduza a velocidade e tenha mais cautela, pois muitos animais cruzam
as pistas", apela Madson.
Segundo
biólogos, com o crescimento das cidades, aumenta a necessidade dos animais de
circularem em busca de alimento, abrigo e parceiros para acasalar. Em um
ambiente totalmente sem impactos do homem, esse ciclo aconteceria de maneira
natural, mas quando se implanta uma estrada no meio da mata, os riscos de
acidentes são grandes.
Sinalização
é colocada em trecho na RJ-168
Há
alguns dias, a Eletrobras, em parceria com a Prefeitura de Macaé (secretaria de
Ambiente) e a Furnas, implantou uma sinalização com placas em um trecho mais
denso de Mata Atlântica, entre a área de amortecimento do Parque Municipal
Atalaia e o distrito de Córrego do
Ouro.
De
acordo com o Administrador do Parque e coordenador de Unidades de Conservação
do município, Alexandre Bezerra, essa medida visa reduzir os acidentes
automobilísticos no trecho de 2km e as mortes de animais por atropelamento na
região, que abriga diversas espécies da fauna brasileira. "Com essa medida
esperamos reduzir os atropelamentos de animais silvestres e também evitar
acidentes de trânsito, pois o local é muito sinuoso e perigoso. Com a
diminuição da velocidade e o despertar da consciência das pessoas que trafegam
por aquela estrada é o objetivo de FURNAS e da SEMA. Além de chamar a atenção
para importância da preservação da Mata Atlântica. Essa ação é oriunda do
cumprimento de condicionantes ambientais exigidas pelo IBAMA referentes a Linha
de Transmissão Km 138 Simplício/Rocha Leão Eletrobras", explica.
Como
o movimento nas estradas da região sofrem um aumento nessa época do ano, toda
atenção e cuidado
é fundamental para evitar acidentes de trânsito e evitar assim que o índice de
atropelamento de animais continue aumentando.
Autor:
Marianna Fontes
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