Hospital
das Clínicas de Teresópolis confirmou três mortos nesta terça (23).
Dez estão no IML do Rio; secretaria não confirma morte no Miguel Couto.
A Viação
1001 informou na manhã desta terça-feira (23) que subiu para 15 o número de
mortos em consequência do grave acidente com o ônibus da empresa na altura do
km 102 na Rodovia Rio-Teresópolis (BR-116), na altura de Guapimirim, Região
Metropolitana do Rio de Janeiro, na segunda-feira (22). Segundo a empresa,
uma pessoa que estava internada no Hospital Miguel Couto, no Rio, morreu nesta
manhã. Outra que estava no Hospital Geral de Saracuruna, na Baixada Fluminense,
morreu logo após dar entrada na unidade ainda na segunda-feira, ainda de acordo
com a 1001.
A
Secretaria de Saúde do município do Rio informou, por volta das 11h50, que os
dois pacientes que deram entrada no Miguel Couto após o acidente permanecem
internados e não confirma nenhum óbito.
De acordo
com boletim divulgado também nesta manhã pelo Hospital das Clínicas de
Teresópolis Costantino Ottaviano (HCTCO), morreram três dos 16 pacientes que
deram entrada na unidade. Outros 10 mortos foram encaminhados para o Instituto
Médico Legal (IML) da capital do Rio de Janeiro, segundo a Polícia Civil.
Por volta
das 9h30, a Polícia Civil informou que seis corpos já foram identificados e
retirados do IML por familiares. São eles: José Neves Mota, Edes Moraes da
Silva, Charles Estellita André, Maria Aparecida Mota Neves; Ilma da Silva
Florido e Lúcia Florido Turques da Silva. Também foram divulgados os nomes de
Jussara Nelon Magacho e Osvaldo Wilson Dias da Costa, que continuam no IML.
Outros dois corpos, de um homem - que seria do motorista Eduardo Fernandes, de
44 anos - e de uma mulher seguem sem identificação.
O filho de um casal que morreu no acidente ainda não sabe que os pais morreram no acidente. De acordo com Sandro Henrique da Silva, 36 anos, primo do casal Edes Moraes da Silva e Lúcia Florindo Turques da Silva, o menino de 14 anos, que viajava com os pais, sofreu escoriações leves e está internado em um hospital de Teresópolis. “Vamos ter que preparar ele”, afirmou Sandro. Segundo ele, a família tinha passado o final de semana em Itaperuna, no Norte do Estado, e voltava para casa
De acordo
com Sandro, a família ainda não pensa em quais medidas tomar a respeito do
acidente. “Isso a gente não vai pensar agora, nós primeiro queremos consolar as
outras pessoas”, afirmou. Segundo o rapaz, Ilma da Silva Florido, que
também morreu no acidente, pertencia a família.
Segundo
informações da viação 1001, 14 pessoas continuavam internadas na manhã desta
terça. Das vítimas, 13 estavam no Hospital das Clínicas de Teresópolis. Outra
está internada no Hospital Miguel Couto e o passageiro que foi encaminhado para
o Hospital de Guapimirim já recebeu alta.
No momento
do acidente, segundo a diretora do Hospital das Clínicas de Teresópolis, Rosane
Rodrigues Costa, muitas pessoas estavam em pé dentro do ônibus. “Eles contam
que sentiram um cheiro de borracha queimada e aí ficou um pânico no ônibus. Os
que estavam na frente, saíram, levantaram e foram para a parte do meio e final
do ônibus, em pé. Na
hora do impacto, as pessoas estavam em pé, estavam soltas, e isso agravou ainda
mais o acidente”, contou.
Técnicos tiveram dificuldade para retirar ônibus do local
Técnicos tiveram dificuldade para retirar ônibus do local
Doze horas depois do acidente, técnicos ainda trabalhavam na Rodovia Rio-Teresópolis para retirar o ônibus da ribanceira. O ônibus só foi retirado no final da madrugada desta terça-feira. A operação cuidadosa, que envolveu cerca de 40 pessoas, começou depois da remoção do último corpo, o do motorista. A rodovia Rio-Teresópolis permaneceu com meia pista interditada e técnico desceram na mata para fixar cabos de aço ao veículo. Foi necessária a força de três guinchos grandes para começar a puxar o ônibus lentamente.
No caminho,
árvores foram serradas para facilitar os trabalhos. A violência do acidente
deixou o veículo totalmente destruído e os técnicos precisaram reposicionar os
guinchos várias vezes. Foram mais de 40 minutos de tentativas, até que a
rodovia foi fechada nos dois sentidos e o ônibus voltou a ser puxado para a
pista.
O trabalho
dos técnicos ficou ainda mais difícil porque as rodas traseiras estavam
travadas e, em função disso, eles não conseguiam arrastar o ônibus. O problema
só foi resolvido perto das 4h da manhã. Agentes ainda limparam a pista, antes
de ser totalmente liberada.
Falha no
freio
Peritos de Polícia Civil investigam se o ônibus, que caiu em uma ribanceira, teria perdido o freio antes do acidente. A falha técnica também é uma das hipóteses da causa do acidente, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF). A outra possibilidade é a de o motorista, que também morreu, ter passado mal.
A linha de
investigação da PRF é baseada em relatos de testemunhas, que viram o ônibus, da
empresa Auto Viação 1001, descer a serra na contramão, com o alerta ligado. A
técnica de enfermagem Sônia Tambara e o aposentado Sebastião Tambara seguiam de
carro para Teresópolis quando viram o ônibus descer a serra na contramão.
Sebastião diz que desviou, mas mesmo assim o ônibus bateu na lateral do seu
carro. O casal fez o retorno para ir atras do ônibus e tentar pará-lo, mas não
achou mais o coletivo na estrada. "Descemos a serra até a delegacia e ao
chegar lá fomos saber do acidente", contou Sônia. "A gente ia bater
de frente. Descemos rezando o terço juntos."
Segundo
peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli, o tacógrafo, que registra
a velocidade do ônibus, marcava 80
km/h . A velocidade máxima permitida é de 60 km/h . A polícia também
afirmou que não há marcas de freio.
O ônibus
será levado para o pátio da empresa e lacrado ate a polícia ir ao local fazer
uma perícia mais aprofundada. O caso foi registrado na 67ª DP (Guapimirimx).
A 1001
informou que faz manutenção constante nos veículos e que vai investigar se o
veículo acidentado havia tido o freio inspecionado recentemente. A companhia
disse que vai divulgar o nome dos mortos nesta terça-feira (23) e
disponibilizou para os parentes das vítimas telefones (0800 941 3334, (11)
5060-5610 e (11) 5069-1177) para informações sobre o estado de saúde dos
internados.
O ônibus
saiu da cidade de Itaperuna, no Noroeste Fluminense do Rio, às 9h da manhã
desta segunda-feira (22) com 29 pessoas, segundo a 1001. A assessoria disse
ainda que, na hora do acidente, o número de passageiros poderia ser maior, já
que o ônibus parou em outras cidades, como Miracema, Santo Antonio de Pádua,
Pirapetinga e Além Paraíba. O destino do veículo era o Rio de Janeiro, com
chegada prevista para 16h.


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