Interpol identificou métodos clandestinos e quer criar sistema global.
Até 90% da
exploração madeireira realizada nas florestas tropicais do planeta são feitas
pelo crime organizado, de acordo com relatório das Nações Unidas em parceria
com a Interpo divulgado nesta quinta-feira (27). Os dados abrangem a Bacia
Amazônica, que inclui o Brasil, a África Central e o Sudeste da Ásia.
O documento
organizado pelo Pnuma, agência da ONU para o meio ambiente, e pela
Polícia Internacional, aponta ainda que a extração ilegal de madeira já
responde entre 15% e 30% do comércio global e movimenta até US$ 100 bilhões ao
ano.
Com o
título “Carbono verde: Negócio sujo”, o objetivo das instituições é cobrar
iniciativas rápidas de governos para combater crimes associados à violência,
assassinatos, além de atrocidades contra indígenas que habitam as florestas
tropicais. O Pnuma e a Interpol afirmam que grupos criminosos estariam
utilizando táticas para movimentar a cadeia madeireira e descrevem 30 formas
engenhosas aplicadas para aquisição e "lavagem" de madeira ilegal.
Métodos primários incluem falsificação de licenças de corte, subornos para obter licenças, além de invasão ilegal de sites do governo para obter registro de concessões ou alterar licenças ambientais.
Relatório cita exemplos de ilegalidade no Brasil
Métodos primários incluem falsificação de licenças de corte, subornos para obter licenças, além de invasão ilegal de sites do governo para obter registro de concessões ou alterar licenças ambientais.
Relatório cita exemplos de ilegalidade no Brasil
Eles citam, por exemplo, que no Brasil, em 2008, cartéis ilegais do estado do Pará tiveram acesso ao sistema de transporte e licenças de corte, o que permitiu o roubo de cerca de 1,7 milhão de m³ de madeira. Na época, segundo o documento, um procurador local acusou 107 empresas e 230 pessoas de envolvimento e processou as empresas em US$ 1,1 bilhão.
De acordo
com o estudo, entre os principais importadores de madeira ilegal do Brasil
estão os Estados Unidos, a União Europeia e a China.
A agência da ONU e a Interpol afirmam ainda que métodos ilegais de exploração no país estariam relacionados à expansão agrícola de pequenos agricultores na região do Amazonas ou à expansão do cultivo da soja e da pecuária no Mato Grosso. Segundo o Pnuma, a criação de gado é responsável por até 70% da perda de cobertura vegetal na Amazônia.
A agência da ONU e a Interpol afirmam ainda que métodos ilegais de exploração no país estariam relacionados à expansão agrícola de pequenos agricultores na região do Amazonas ou à expansão do cultivo da soja e da pecuária no Mato Grosso. Segundo o Pnuma, a criação de gado é responsável por até 70% da perda de cobertura vegetal na Amazônia.
Em agosto,
segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a
Amazônia Legal perdeu uma área de 522 km² de floresta devido ao desmatamento,
número que é 220% maior que a devastação ocorrida no mesmo período do ano
passado.
É como se a floresta perdesse em apenas 31 dias uma área equivalente a 29 vezes o tamanho da ilha de Fernando de Noronha, principal faixa de terra que integra o arquipélago existente na costa de Pernambuco.
O Ministério do Meio Ambiente informou que o pico de desmatamento "se deve a fatores como a quebra da safra de milho nos Estados Unidos, que levou à abertura de novas áreas para o plantio de soja no Brasil, a alta da cotação do ouro no mercado internacional, que está provocando o incremento da atividade garimpeira ilegal e, principalmente, o aumento das queimadas".
É como se a floresta perdesse em apenas 31 dias uma área equivalente a 29 vezes o tamanho da ilha de Fernando de Noronha, principal faixa de terra que integra o arquipélago existente na costa de Pernambuco.
O Ministério do Meio Ambiente informou que o pico de desmatamento "se deve a fatores como a quebra da safra de milho nos Estados Unidos, que levou à abertura de novas áreas para o plantio de soja no Brasil, a alta da cotação do ouro no mercado internacional, que está provocando o incremento da atividade garimpeira ilegal e, principalmente, o aumento das queimadas".
Sistema
internacional de combate ao crime ambiental
Por conta
disto, foi criado um projeto piloto, financiado pelo governo da Noruega, para
desenvolver um sistema internacional de combate ao crime organizado.
São vários objetivos, mas entre os principais estão o fortalecimento das investigações nacionais e a centralização da concessão de licenças ambientais, o que facilitaria a transparência.
São vários objetivos, mas entre os principais estão o fortalecimento das investigações nacionais e a centralização da concessão de licenças ambientais, o que facilitaria a transparência.
Além disso,
haveria a classificação das regiões geográficas consideradas críticas, com o
intuito de restringir o fluxo de madeira e outros produtos, além de incentivar
investigações de fraude fiscal, com foco em plantações e usinas.

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