Técnica
criada na Austrália injeta bactéria no 'Aedes aegypti'.
Inseto então deixa de passar a doença às pessoas, informa Fiocruz.
A Fundação
Oswaldo Cruz (Fiocruz) anunciou nesta segunda-feira (24) que vai testar no Rio
de Janeiro um novo método de controle da dengue, inédito no país. O projeto
"Eliminar a Dengue: Desafio Brasil" vai usar bactérias do gênero Wolbachia,
que impedem que o mosquito Aedes aegyptitransmita o vírus da doença.
A técnica foi desenvolvida na Austrália. Por meio de microinjeções, os ovos dos mosquitos transmissores da dengue são contaminados com a bactéria. Ela compete por nutrientes com o vírus, e leva a melhor, impedindo que a dengue se desenvolva no mosquito e, consequentemente, que ela seja transmitida ao ser humano. A bactéria é típica dos invertebrados e encontrada em 70% dos insetos do mundo, como borboletas e pernilongos. O Aedes aegypti não está nesse grupo.
As fêmeas infectadas com a Wolbachia sempre geram filhotes com a bactéria na reprodução. No cruzamento, não importa se o macho possui ou não o micro-organismo. Caso um macho contaminado cruze com uma fêmea sem Wolbachia, os óvulos fertilizados morrem. A ideia é, em um prazo ainda indefinido, soltar fêmeas com a bactéria para que elas se reproduzam com machos que tenham o vírus da dengue e, progressivamente, ir contaminando ao máximo a população do inseto. Dessa maneira, haveria cada vez menos mosquitos capazes de transmitir a doença.
A técnica foi desenvolvida na Austrália. Por meio de microinjeções, os ovos dos mosquitos transmissores da dengue são contaminados com a bactéria. Ela compete por nutrientes com o vírus, e leva a melhor, impedindo que a dengue se desenvolva no mosquito e, consequentemente, que ela seja transmitida ao ser humano. A bactéria é típica dos invertebrados e encontrada em 70% dos insetos do mundo, como borboletas e pernilongos. O Aedes aegypti não está nesse grupo.
As fêmeas infectadas com a Wolbachia sempre geram filhotes com a bactéria na reprodução. No cruzamento, não importa se o macho possui ou não o micro-organismo. Caso um macho contaminado cruze com uma fêmea sem Wolbachia, os óvulos fertilizados morrem. A ideia é, em um prazo ainda indefinido, soltar fêmeas com a bactéria para que elas se reproduzam com machos que tenham o vírus da dengue e, progressivamente, ir contaminando ao máximo a população do inseto. Dessa maneira, haveria cada vez menos mosquitos capazes de transmitir a doença.
Segundo o
responsável pelo projeto, o pesquisador da Fiocruz Luciano Moreira, o método é
seguro para os seres humanos. "A técnica é bastante segura porque essa
bactéria nunca foi encontrada em vertebrados. Pernilongos
têm Wolbachia e nós já somos picados por eles. A bactéria é
intracelular, vive dentro da célula, e é muito grande para sair junto com a
saliva do mosquito. Quando o mosquito morre, ela morre também", afirmou o
pesquisador.
Como informou a Fiocruz, em testes de laboratório foi possível infectar populações inteiras de mosquitos em dois meses. Na Austrália, já foram soltos insetos com bactérias Wolbachia na natureza, após consulta à população.
De acordo com a Fiocruz, no Brasil também só se chegará ao passo de soltar o Aedes aegypticom Wolbachia depois de fazer uma consulta popular. Se tudo ocorrer como o previsto e a iniciativa for aprovada, informa a fundação, isso poderia acontecer em 2014, para que em 2015 se avaliem os resultados da estratégia. O programa já exportou a técnica para outros países que sofrem com a dengue, como Vietnã, Indonésia e China.
Como informou a Fiocruz, em testes de laboratório foi possível infectar populações inteiras de mosquitos em dois meses. Na Austrália, já foram soltos insetos com bactérias Wolbachia na natureza, após consulta à população.
De acordo com a Fiocruz, no Brasil também só se chegará ao passo de soltar o Aedes aegypticom Wolbachia depois de fazer uma consulta popular. Se tudo ocorrer como o previsto e a iniciativa for aprovada, informa a fundação, isso poderia acontecer em 2014, para que em 2015 se avaliem os resultados da estratégia. O programa já exportou a técnica para outros países que sofrem com a dengue, como Vietnã, Indonésia e China.
Surpresa
dos pesquisadores
Inicialmente,
a ideia de infectar os mosquitos com a bactéria era reduzir o tempo de vida do
mosquito da dengue, que é, em média, de 30 dias. A cepa de Wolbachia encontrada
na "mosca-da-fruta" (Drosophila melanogaster) reduziria a
sobrevida do Aedes aegypti.
Assim, o
inseto teria menos tempo para passar a doença ao homem. No entanto, os estudos
apontaram que a bactéria também impediria o mosquito de transmitir a doença, o
que permitiu o desenvolvimento desse método australiano.

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