Estreia de
J.K. Rowling na literatura adulta começa a ser vendida na quinta.
Pedidos antecipados já ultrapassam a marca de 1 milhão de cópias.
Ambientado
em um vilarejo imaginário e cheio de intrigas políticas – muito longe do mundo
mágico de "Harry Potter" – , o primeiro romance adulto de J.K.
Rowling começa a ser vendido nesta quinta-feira (27) no Reino Unido, com um
sucesso comercial garantido pela demanda popular.
A escritora
britânica, que já vendeu mais de 450 milhões de cópias da saga do menino bruxo,
cujo último volume foi lançado em 2007, pode contar com seus fãs leais quando
"The casual vacancy" [A vaga acidental] chegar às livrarias. Os
pedidos antecipados ultrapassam um milhão de cópias e os livreiros britânicos
esperam que a ficção se torne a mais vendida do ano.
"É um
dos maiores lançamentos do século XXI", disse à AFP Philip Stone, diretor
das listas debest-sellers da revista "The Bookseller". "Eu
acredito que 99,9% de nós [do setor] prevemos que irá diretamente para o número
um dos mais vendidos", acrescentou.
A
bilionária JK Rowling, de 47 anos, não terá, portanto, nenhum motivo para se
preocupar se os críticos não gostarem de sua primeira incursão no romance para
adultos. "Eu sou a escritora mais livre do mundo. Posso fazer o que eu
quiser", declarou recentemente ao diário britânico "The
Guardian". "Se todo mundo disser 'Bem, é terrivelmente ruim, volte
para seus magos', obviamente não darei uma festa, mas vou sobreviver",
acrescentou.
A nova
editora de Rowling, a Little, Brown, divulgou alguns detalhes do texto. E
outros foram comentados pelo seleto grupo de jornalistas que teve acesso ao
livro, sob uma segurança semelhante ao do auge da "Pottermania". O
romance, que transcorre em Pagford, uma cidade aparentemente idílica no
sudoeste da Inglaterra, começa com a morte de um vereador local.
Essa
ocorrência faz com que uma parte dos moradores comece a planejar um esquema
para encontrar um substituto que simpatize com a sua causa: libertar a classe
média da convivência com um sórdido conjunto habitacional. "Nossa
sociedade é extremamente esnobe e este é um bom filão. A classe média é muito
engraçada", disse JK Rowling ao "Guardian".
O livro,
que aborda questões como a dependência de heroína, prostituição, família
monoparental e o desejo adolescente, é uma mudança radical em relação aos seus
sete romances de fantasia sobre os bruxos adolescente que enfrentam o malvado
Voldemort. "Há algumas coisas que não estão na literatura de fantasia",
explicou à revista americana "The New Yorker". "Não há sexo
entre unicórnios. É uma regra estrita. É de mau gosto".
Mãe de três
filhos, hoje J.K. Rowling é uma loira glamourosa com mansões em Edimburgo, na
Escócia, e Londres. Sua fortuna é estimada em 560 milhões de libras (ou US$ 907
milhões), de acordo com o "Sunday Times", graças aos oito filmes ,
parques temáticos, brinquedos e videogames inspirados na saga de Potter.
Mas, no
início dos anos 1990, quando escreveu seu primeiro romance de Harry Potter em
cafés de Edimburgo, Rowling era uma mãe solteira, que lutava com a depressão e
sobrevivia graças a subvenções públicas com sua filha, fruto de um casamento
desastroso com um jornalista português.
Essa
experiência foi uma das inspirações para "The casual vacancy", assim
como ter passado a sua juventude em uma cidade como Pagford. "Lembrei-me
claramente do que é ser uma adolescente, e não foi um momento particularmente
feliz da minha vida", contou ao "The Guardian". Sua mãe foi
diagnosticada com esclerose múltipla quando ela tinha 15 anos e ela sempre teve
uma relação difícil com seu pai.
A escritora
trabalha agora em dois outros livros para crianças. O que fará em seguida
dependerá do seu modo de transporte, já que "Harry Potter" nasceu em
um trem e "The casual vacancy" em um avião. "Obviamente, eu
tenho que estar em algum tipo de veículo para ter uma ideia decente",
concluiu.

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