quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Chile pede ajuda à Nasa para salvar mineiros soterrados

Presidente chileno conversou com 33 trabalhadores por linha telefônica que passa por duto até local onde todos estão presos.

Autoridades chilenas pediram ajuda à agência espacial americana Nasa na operação de resgate aos 33 mineiros presos há 18 dias em uma mina no norte do Chile.

Um porta-voz da Nasa confirmou que a agência recebeu um pedido de ajuda do governo chileno, e disse que vai "ajudar dentro do possível".

A agência espacial vai ajudar a prover a alimentação aos mineiros presos. "A situação é muito semelhante a dos astronautas, que passam meses sem fim em estações espaciais", disse à jornalistas o ministro da Saúde do Chile, Jaime Manalich.

Na terça-feira (24), o presidente do Chile, Sebastián Piñera, conversou com os mineiros presos. Piñera falou com os trabalhadores soterrados do palácio presidencial em Santigo, por meio de uma linha telefônica que passa por um duto perfurado para chegar até a câmara onde os mineiros estão presos.

Até o momento, as equipes que trabalham no local conseguiram estabelecer duas linhas de comunicação com os mineiros, uma para a passagem de alimentos, outra para a linha telefônica. O homens estão sobrevivendo com uma dieta de pequenas quantidades de comida, como soluções altamente calóricas de glicose e sachês de sopa.

As equipes de resgate trabalhando no local afirmaram que eles estão "bem de saúde", mas ainda não sabem que as operações para tentar retirá-los podem levar até quatro meses.

O ministro de Minas, Laurence Golborne, afirmou a jornalistas que foi dado um plano de trabalho para manter os mineiros ocupados nas próxima semanas, e acrescentou que, apesar de não saber mais detalhes sobre o prazo do resgate, os trabalhadores sabem que a situação é difícil.

"Eles entendem a situação que estão vivendo. Eles entendem que temos que passar por 700 metros de rocha sólida para resgatá-los, então eles podem avaliar a situação e, provavelmente, tem um senso de que será um longo período. Mas, novamente, psicologicamente falando, temos que tentar mantê-los no caminho certo", afirmou.

Meses

Segundo Andres Sougarret, chefe da operação de resgate, a estimativa de um período de quatro meses para a retirada dos trabalhadores se baseia no tempo necessário para se abrir um túnel com largura suficiente para uma retirada segura dos mineiros.

Atualmente, o único canal de comunicação com os trabalhadores na mina de ouro e cobre San José é um duto de cerca de 15 cm de diâmetro.

Por meio de um contato telefônico com o ministro Golborne, na segunda-feira (23), foi possível saber que os mineiros estão "com muita fome", mas estão bem. Eles relataram que estavam sobrevivendo com uma dieta racionada de duas colheres atum enlatado, um gole de leite e meio biscoito a cada 48 horas.

De acordo com Sougarret, os trabalhadores soterrados deverão receber cartas e bilhetes escritos por suas famílias, que foram orientadas a "manter um tom otimista".

Os mineiros estão presos desde o dia 5 de agosto, quando o principal acesso ao túnel ruiu. Eles estão a 700 metros de profundidade, em um abrigo de 50 metros quadrados, que contém dois bancos de madeira compridos.

Tanques de água, além de água contida em máquinas de perfuração e canais de ventilação ajudaram os homens a sobreviver, mas eles tinham pouca comida.

Esforços

Uma perfuradora especial está sendo enviada para a mina, localizada perto da cidade de Copiapó, no norte do país, para tentar abrir uma passagem que permita a saída dos mineiros.

Desde a noite de domingo (22) engenheiros tentam abrir mais linhas de comunicação com os mineiros, além de reforçar o duto de 15 cm de diâmetro já aberto, para evitar que a passagem seja obstruída pela queda de rochas.

O duto está sendo usado por equipes de resgate para enviar suprimentos aos mineiros em pequenas cápsulas de plástico azul, apelidadas de "palomas" (pombas, em espanhol).

Além de água, estão sendo enviadas cápsulas com comida - em forma de uma solução altamente calórica de glicose -, além de medicamentos para diminuir acidez estomacal.

Uma das maiores preocupações agora é com a saúde mental dos confinados. Uma equipe de médicos e psicólogos chegou ao local para ajudar a monitorar as condições físicas e mentais dos trabalhadores durante o longo período de espera pelo resgate.

"Precisamos estabelecer com urgência qual o estado psicológico em que eles se encontram. Eles precisam entender o que sabemos aqui na superfície, que levará várias semanas até eles verem a luz do sol", disse o ministro da Saúde, Jaime Manalich.

"Deve-se estabelecer uma liderança (entre eles) e uma rede de apoio para prepará-los para o que está pela frente, o que não é pouco", completou.

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